Santa Rita de Cássia

PUBLICADO: 17/10/2025

Santa Rita de Cássia
Imagem de Santa Rita de Cássia
Nascimento 1371. Roccaporena, Cássia, Itália
Morte 22 de Maio de 1457. Cássia, Itália
Canonização 24 de Maio de 1900
Dia Festivo
Padroeiro(a) Causas Impossíveis, Viúvas, Mães, Doenças da Pele, Esterilidade, SItuações Difícies no Casamento

A Igreja recorda Santa Rita no dia 22 de maio. Ela é conhecida como a Santa das causas impossíveis, porque, graças à sua intercessão, foram resolvidos, milagrosamente, diversos casos insolúveis. Mulher e mãe exemplar, depois monja beneditina.

Vida Pessoal

A pequena periferia de Roccaporena, na Úmbria, foi berço de Margarida Lotti, provavelmente por volta de 1371, chamada com o diminutivo de “Rita”. Seus pais, humildes camponeses e pacificadores, procuraram dar-lhe uma boa educação escolar e religiosa na vizinha cidade de Cássia, onde a instrução era confiada aos Agostinianos. Naquele contexto, amadurece a devoção a Santo Agostinho, São João Batista e São Nicolau de Tolentino, que Rita escolheu como seus protetores.

Por volta de 1385, a jovem se uniu em matrimônio com Paulo de Ferdinando de Mancino. A sociedade de então era caracterizada por diversas contendas e rivalidades políticas, nas quais seu marido estava envolvido. Mas a jovem esposa, através da sua oração, serenidade e capacidade de apaziguar, herdadas pelos pais, o ajudou a viver, aos poucos, como cristão de modo mais autêntico. Com amor, compreensão e paciência, a união entre Rita e Paulo tornou-se fecunda, embelezada pelo nascimento de dois filhos: Giangiacomo e Paulo Maria. Porém, a espiral de ódio das facções políticas da época acometeram seu lar doméstico. O esposo de Rita, que se encontrava envolvido, também por vínculos de parentela, foi assassinado. Para evitar a vingança dos filhos, escondeu a camisa ensanguentada do pai. Em seu coração, Rita perdoou os assassinos do seu marido, mas a família Mancino não se resignou e fazia pressão, a ponto de desatar rancores e hostilidades. Rita continuava a rezar, para que não fosse derramado mais sangue, fazendo da oração a sua arma e consolação. Entretanto, as tribulações não faltaram. Uma doença causou a morte de Giangiacomo e de Paulo Maria; seu único conforto foi pensar que, pelo menos, suas almas foram salvas, sem mais correr o risco de serem envolvidos pelo clima de represálias, provocado pelo assassinato do marido.

Tendo ficado sozinha, Rita intensificou sua vida de oração, seja pelos seus queridos defuntos, seja pela família de Mancino, para que perdoasse e encontrasse a paz.

Com a idade de 36 anos, Rita pediu para ser admitida na comunidade das monjas agostinianas do Mosteiro de Santa Maria Madalena de Cássia. Porém, seu pedido foi recusado: as religiosas temiam, talvez, que a entrada da viúva de um homem assassinado pudesse comprometer a segurança do Convento. No entanto, as orações de Rita e as intercessões dos seus Santos protetores levaram à pacificação das famílias envolvidas na morte de Paulo de Mancino e, após tantas dificuldades, ela conseguiu entrar para o Mosteiro.

Narra-se que, durante o Noviciado, para provar a humildade de Rita, a Abadessa pediu-lhe para regar o tronco seco de uma planta e que sua obediência foi premiada por Deus, pois a videira, até hoje, é vigorosa. Com o passar dos anos, Rita distinguiu-se como religiosa humilde, zelosa na oração e nos trabalhos que lhe eram confiados, capaz de fazer frequentes jejuns e penitências. Suas virtudes tornaram-se famosas até fora dos muros do Mosteiro, também por causa das suas obras de caridade, juntamente com algumas coirmãs; além da sua vida de oração, ela visitava os idosos, cuidava dos enfermos e assistia aos pobres.

Cada vez mais imersa na contemplação de Cristo, Rita pediu-lhe para participar da sua Paixão. Em 1432, absorvida em oração, recebeu a ferida na fronte de um espinho da coroa do Crucifixo. O estigma permaneceu, por quinze anos, até à sua morte. No inverno, que precedeu a sua morte, enferma e obrigada a ficar acamada, Rita pediu a uma prima, que lhe veio visitar em Roccaporena, dois figos e uma rosa do jardim da casa paterna. Era janeiro, período de inverno na Itália, mas a jovem aceitou seu pedido, pensando que Rita estivesse delirando por causa da doença. Ao voltar para casa, ficou maravilhada por ver a rosa e os figos no jardim e, imediatamente, os levou a Rita. Para ela, estes eram sinais da bondade de Deus, que acolheu no Céu seus dois filhos e seu marido. Santa Rita expirou na noite entre 21 e 22 de maio de 1457. [1]

O Mistério do Corpo

Após sua morte, em 1457, algo extraordinário começou a chamar a atenção: seu corpo, nunca sepultado da forma adequada, permaneceu surpreendentemente preservado ao longo dos séculos. Exalava um perfume delicado, e da ferida em sua fronte emanava uma luz inexplicável. Documentos da época relatam fenômenos místicos no momento de sua morte: perfumes, sinos tocando e uma claridade celeste enchendo a cela do convento.

Em 1627, por ocasião de seu processo de beatificação, o corpo de Santa Rita foi cuidadosamente examinado. O veredito surpreendeu os peritos: a pele conservava a coloração natural, e não havia sinais visíveis de decomposição — fato notável especialmente porque seu corpo nunca havia sido sepultado formalmente em mais de 150 anos.

Canonizada em 1900 por Leão XIII, Santa Rita passou a repousar em um relicário de ouro, exposto na Basílica a ela dedicada, na comuna de Cássia, Itália. Ali, todos os anos, milhares de devotos se reúnem para venerá-la — entre eles, uma imensa multidão de brasileiros, cuja devoção à santa é especialmente intensa. [2]

Canonização e Beatificação

Rita foi beatificada em 2 de outubro de 1627 por Urbano VIII. O processo foi realizado em Cássia, na igreja de São Francisco, e em sua conclusão o Pontífice concedeu à diocese de Spoleto e aos religiosos agostinianos a faculdade de celebrar a missa em honra da beata. Em seguida, em 4 de fevereiro de 1628, estendeu-a às igrejas agostinianas e ao clero secular.

O processo para sua canonização foi muito longo, inclusive porque foi interrompido várias vezes. Foi iniciado pelos agostinianos em 1737, juntamente com o município de Cássia. Após várias eventos, foi reaberto em 1853. No entanto, foi somente em 1887 que o processo deu uma guinada para melhor devido a um novo milagre. Em 25 de fevereiro de 1896, foi publicado o decreto sobre as virtudes heroicas. Em 1899, entre os vários milagres considerados úteis para a canonização, foram aprovados o perfume que se espalhava do corpo da santa e a cura de doenças incuráveis. Mas Rita de Cássia foi proclamada santa no ano seguinte. [3]

Milagres e Testemunhos

  • Milagre das Abelhas - Quando bebê, abelhas brancas a rodeavam, depositavam mel em seus lábios e não a picavam. Um ferido com foice se aproximou e foi curado instantaneamente.
  • A Videira Seca - Para provar sua vocação, freiras mandaram-na regar um galho seco por um ano, que virou uma videira que dá uvas até hoje.
  • O Espinho da Paixão - Meditando sobre a Paixão, um espinho de um crucifixo cravou-se em sua testa, causando uma ferida que só cicatrizou em sua morte, exalando perfume de rosas.
  • Milagres Pós-Morte - O corpo de Santa Rita permanece incorrupto, exalando perfume e atraindo multidões, com relatos de levitação e milagres de cura.

Devoção

No Brasil, Santa Rita de Cássia é uma das santas mais populares. Desde o século XIX, sua devoção se espalhou pelo país, com a criação de paróquias, festas e romarias em sua honra. A cidade de Santa Cruz (RN), por exemplo, abriga o maior monumento religioso dedicado à santa no mundo — uma imagem de 56 metros de altura que atrai milhares de peregrinos todos os anos. Em diversas cidades brasileiras, sua festa litúrgica, celebrada neste 22 de maio, é ocasião de intensa vivência da fé e expressão de confiança na sua intercessão poderosa.

O Papa Leão XIV, atual Sucessor de Pedro, partilha com Santa Rita não apenas a devoção, mas também a espiritualidade agostiniana. Membro da Ordem de Santo Agostinho, o pontífice já esteve inúmeras vezes em Cássia, onde nutre especial afeto pelo santuário que abriga o corpo da santa. Sua vida de oração e perseverança diante dos desafios da Igreja encontra eco na figura de Rita, que soube responder com fé ao sofrimento e à contradição. [2]

Legado

Rita conseguiu reflorescer, apesar dos espinhos que a vida lhe reservou, espalhando o bom perfume de Cristo e aquecendo tantos corações no seu gélido inverno. Por este motivo e em recordação do prodígio de Roccaporena, a rosa é, por excelência, o símbolo de Rita. [1]

"Modelo de caridade" e "mediadora da reconciliação e da paz", como descreveu o então prefeito do Dicastério para os Bispos, cardeal Robert Prevost (atual Papa Leão XIV), Santa Rita é um exemplo a ser imitado ainda hoje, especialmente "nestes tempos afetados pela violência da guerra, onde parece que a rivalidade e o ódio têm a última palavra". [4]

A vida de Santa Rita é uma pregação viva sobre o valor do sofrimento unido a Cristo. Ela testemunha que nenhum obstáculo, por mais humano que pareça, pode impedir o agir de Deus. Seja na vida matrimonial ou religiosa, seu exemplo aponta para a eternidade — e lembra aos devotos que, de fato, a última palavra sempre é de Deus. [2]

Oração

Oração de Santa Rita de Cássia:

"Ó Poderosa e gloriosa Santa Rita, eis a vossos pés uma alma desamparada que necessitando de auxílio, a vós recorre com a doce esperança de ser atendida por vós que tem o título de Santa dos Casos Impossíveis e Desesperados. Ó cara santa interessai-vos pela minha causa, intercedei junto a Deus para que me conceda a graça que tanto necessito (faça o pedido). Não permitais que tenha de me afastar de vossos pés sem ser atendido. Se houver em mim algum obstáculo que me impeça de alcançar a graça que imploro, auxiliai-me para que o afaste. Envolvei o meu pedido em vossos preciosos méritos e apresentai-o a vosso celeste esposo, Jesus, em união com a vossa prece. Ó Santa Rita, eu ponho em vós toda a minha confiança. Por vosso intermédio, espero tranquilamente a graça que vos peço. Santa Rita, Advogada dos Impossíveis, rogai por nós."

Bibliografia

  1. Vatican News - S. Rita de Cássia, religiosa agostiniana (22 maio)
  2. Vatican News - Santa Rita: A Última Palavra é de Deus (22 maio 2025)
  3. Vatican News - Cássia celebra os 125 anos de canonização de Santa Rita (23 maio 2025)
  4. Vatican News - Santa Rita de Roccaporena a Cássia: cantinho pequeno do mundo, mas de grandes coisas (22 maio 2025)