| São Jorge | |
|---|---|
| Nascimento | 280 d.C. Capadócia, Anatólia, Império Romano |
| Morte | Nicomédia, Bitínia, Império Romano. 23 de abril de 303 d.C |
| Canonização | 494 d.C. |
| Dia Festivo | |
| Padroeiro(a) | Cavaleiros, Soldados, Guerreiros, Escoteiros, Esgrimistas, Arqueiros |
Poucos santos têm um culto tão difundido e tanta veneração popular como São Jorge, cavaleiro e mártir de Cristo entre os séculos II e IV. Testemunham isso as inúmeras igrejas, a ele dedicadas, e as muitas cidades e regiões do mundo, das quais é padroeiro. Sua festa litúrgica é dia 23 de abril.
Vida Pessoal
Jorge, cujo nome de origem grega significa “agricultor”, nasceu na Capadócia, por volta do ano 280, em uma família cristã. Transferiu-se para a Palestina, onde se alistou no exército de Diocleciano. [2]
Ele foi martirizado, por ordem do Imperador, por não renegar sua fé em Cristo. Era o tempo das grandes perseguições. Muitos renegaram sua fé em Jesus. Só homens e mulheres verdadeiramente fortes, de todas as idades, alimentados pela Palavra e pela Eucaristia, foram capazes de testemunhar o Senhor com suas próprias vidas. [3]
Em 303, quando o imperador emanou um edito para a perseguição dos cristãos, Jorge doou todos os seus bens aos pobres e, diante de Diocleciano, rasgou o documento e professou a sua fé em Cristo. Por isso, sofreu terríveis torturas e, no fim, foi decapitado.
No lugar da sua sepultura, em Lida, - um tempo capital da Palestina, agora cidade israelense, situada perto de Telavive, - foi construída uma Basílica, cujas ruinas ainda são visíveis. [2]
Jorge e o Dragão
São inúmeras as narrações fantasiosas, que nasceram em torno da figura de São Jorge. Um dos seus episódios mais conhecidos é o do dragão e a jovem, salva pelo santo, que remonta ao período das Cruzadas. [2]
Encontramos esta história num famoso livro do dominicano Giácomo de Voragine (que foi arcebispo de Gênova, na Itália), no século XIII, chamado Legenda Aurea. Neste livro, antes de contar-nos o martírio de São Jorge, o autor narra como o santo salvou a cidade de Silena, na então Província Romana da Líbia (Norte da África).
No grande lago junto àquela cidade, escondia-se um dragão, que ameaçava a segurança e a paz da população local. Para impedir que o monstro se aproximasse, os habitantes davam-lhe, todos os dias, duas ovelhas. Quando as ovelhas começaram a faltar, o Conselho local decidiu dar ao animal uma ovelha e um humano, tanto rapazes quanto moças, sorteados dentre os jovens da população.
A sorte caiu, por fim, já depois de algum tempo, sobre a filha do rei da cidade. Amargurado, o rei se despediu da princesa. Esta foi colocar-se junto às margens do lago, esperando seu fim. Foi neste momento, justamente, que surge por lá o jovem Jorge. Vendo a jovem chorar, seu coração de cavaleiro cristão, de rapaz bondoso, não se conteve. Ele se aproximou e perguntou o que havia. A jovem pediu que ele partisse rapidamente, para não ser também ele devorado. Jorge não perdeu a calma e esperou que a princesa contasse a história.
Enquanto ainda conversavam, o dragão colocou sua cabeça para fora da água. A princesa gritou de horror. Jorge imediatamente montou em seu cavalo, protegeu-se com o sinal da cruz e com a audácia e a liberdade própria dos filhos de Deus, atacou o dragão. Brandindo a lança com vigor, recomendou-se a Deus, atingiu o monstro e jogou-o ao chão. Tendo ferido o dragão, Jorge pediu que a princesa colocasse, sem medo, seu cinto em volta do pescoço da fera. O dragão seguiu-a, como um cachorrinho manso.
Jorge e a princesa entram na cidade. O dragão os acompanhava como um manso animal de estimação. O jovem Jorge disse: “Nada temam. O Senhor me enviou para que eu os libertasse das desgraças causadas por esse dragão. Creiam em Cristo, recebam o batismo, que eu matarei o dragão”. Assim, o rei e toda a cidade foram batizados. São Jorge desembainhou sua espada, que manejava com tanta destreza e pôs fim à existência da besta. Foram precisos quatro pares de bois para arrastar o animal morto para fora dos muros da cidade de Silena!
Jorge sabia que não bastaria matar o dragão. Se os habitantes da cidade não mudassem de vida, não recebessem o batismo, ficariam sempre frágeis perante outros males e monstros que se aproximassem.
O frei Giácomo de Voragine conta, ainda, que em homenagem à Virgem Maria e a Jorge, o rei mandou construir uma grande igreja, sob cujo altar surgiu uma fonte de água curativa. O rei ofereceu a Jorge uma enorme quantia em dinheiro. O jovem santo não aceitou. Pediu que o rei doasse o valor aos mais pobres.
Antes de partir, Jorge deu ao rei quatro sábios conselhos: cuidar das igrejas de Deus, honrar os padres, participar com atenção da liturgia e nunca esquecer os pobres. A seguir, saudou o rei e foi embora. [3]
Devoção
São Jorge é considerado Padroeiro dos cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros. Ele é invocado ainda contra a peste, a lepra e as serpentes venenosas. O Santo é honrado também pelos muçulmanos, que lhe deram o apelativo de “profeta”.
Na falta de notícias sobre a sua vida, em 1969, a Igreja mudou a sua celebração: de festa litúrgica passou a ser memória facultativa, sem, porém, alterar seu culto.
As relíquias de São Jorge encontram-se em diversos lugares do mundo. Em Roma, na igreja de São Jorge em Velabro é conservado seu crânio, por desejo do Papa Zacarias. [2]
Legado
Como acontece com outros santos, envolvidos por lendas, poder-se-ia concluir que também a função histórica de São Jorge é recordar ao mundo uma única ideia fundamental: que o bem, com o passar do tempo, vence sempre o mal. A luta contra o mal é uma dimensão sempre presente na história humana, mas esta batalha não se vence sozinhos: São Jorge matou o dragão porque Deus agiu por meio dele. Com Cristo, o mal jamais terá a última palavra! [2]
A belíssima história de São Jorge, a grande devoção que nosso povo tem por ele, os inúmeros milagres operados por sua intercessão, ao longo de séculos, sua firmeza de caráter, enfrentando o mal e o martírio sem nunca perder sua calma (fruto da sua confiança em Cristo), fazem-nos dar graças ao Bom Deus por ser ele o patrono dos escoteiros de todo o mundo, de todos os ramos! Que sua força e sua bondade possam ser inspiração para cada um de nós nesta nossa peregrinação por esta terra, em direção a Cristo! [3]
Oração
Oração de São Jorge contra os inimigos:
"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos tendo pés, não me alcancem; tendo mãos, não me peguem; tendo olhos não me vejam e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar. Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus com sua Divina Misericórdia e grande poder seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo."