| Santo Afonso Maria de Ligório | |
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| Nascimento | 27 de Setembro de 1696. Nápoles, Itália |
| Morte | 1 de Agosto de 1787. Pagani, Itália |
| Canonização | 1839 |
| Dia Festivo | |
| Padroeiro(a) | Confessores, Teólogos de Teologia Moral, Moralistas |
Afonso nasceu em uma nobre família napolitana. Era um advogado precoce, mas aos 30 anos, deixou tudo para ser sacerdote. Em 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor e, mais tarde, foi bispo de Santa Águeda dos Godos. Foi canonizado em 1839 e proclamado Doutor da Igreja, em 1871, por Pio XI.
Vida Pessoal
Quando alguém nasce em uma família nobre, como a dos Liguori, em uma cidade grande como Nápoles, em um século importante como o do Iluminismo e como o primeiro de oito filhos, é destinado, certamente, a algo superior. Assim, como bom augúrio, os pais batizam seu primogênito com o nome de Afonso, que significa valoroso e nobre. E ninguém, mais do que ele, fez jus ao seu nome.
Confiado aos melhores tutores em circulação, Afonso demonstrou, imediatamente, qualidades extraordinárias: aos 12 anos, superou, de modo exímio, os exames de vestibular, diante do filósofo Giambattista Vico, para entrar na Faculdade de Direito; aos 16 anos, já exercia a profissão de advogado, tornando-se rapidamente o melhor da cidade e com uma reputação merecida, por não perder nenhuma causa.
No entanto, o Senhor tinha outros planos para ele, avantajado por nascer em uma família particularmente agraciada. De fato, dos oito filhos, além dele, duas irmãs se tornaram monjas, uma beneditina e outra sacerdotisa diocesana. Com efeito, não era naquele contexto nobiliário, do qual provinha, que Afonso era chamado a viver.
Durante a sua profissão de advocacia, Afonso exercia o que hoje chamamos "voluntariado", sobretudo em um hospital de Nápoles, onde visitava os enfermos. Aos poucos, esta vida o atraía, cada vez mais. Por isso, decidiu deixar as leis humanas para se dedicar ao Senhor.
Em 1726, ao ser ordenado sacerdote, dedicou todo o seu ministério ao serviço dos mais pobres, que, no século XVIII, eram incontáveis. Suas atividades, como pregador e confessor, eram intensas, entretanto, cultivava seu sonho de partir em missão no Oriente.
Em 1730, durante um período de descanso forçado, entre as montanhas próximas de Amalfi, Afonso conheceu alguns pastores com os quais debateu sobre a gravidade do seu abandono humano, cultural e religioso. Aquela conversa o perturbou tanto, a ponto de chegar à decisão de deixar Nápoles para se retirar para o eremitério beneditino da Vila dos Escravos, perto de Caserta. Ali, fundou a Congregação do Santíssimo Salvador, que, depois, foi aprovada por Bento XIV, em 1749, com o atual nome de Congregação do Santíssimo Redentor. A sua missão consistia em uma pregação marcada pela simplicidade apostólica e na educação dos humildes.
Afonso partiu do modelo “Capelas noturnas”, grupos liderados pelos colaboradores do Santo, tanto leigos como seminaristas, dedicados à evangelização dos jovens que viviam nas ruas. Esta experiência teve um sucesso imediato em Nápoles, a ponto de atingir cerca de 30 mil inscritos para serem educados.
Mais tarde, os sacerdotes Redentoristas contaram também com a adesão das Irmãs Redentoristas, o ramo feminino da Congregação, fundada precisamente em Amalfi.
Afonso gostava muito da arte de ensinar e de fazer pregações, utilizando métodos inovadores, como a música, que ele havia estudado quando era criança. Uma das suas composições, por exemplo, é a famosa "Tu scendi dalle stelle” (“Tu desces das estrelas”), que nunca falta entre os cantos nas celebrações do Natal.
Afonso estava muito comprometido também com as questões morais. Entre as muitas obras que escreveu, a mais importante é, certamente, a "Teologia moral", em vários volumes, ainda hoje estudada, na qual enfrenta questões como a virgindade de Maria e a infalibilidade do Papa, muito antes da Igreja considerá-las dogmas.
Em 1762, com a venerável idade de 66 anos, Afonso Maria de Liguori foi nomeado Bispo de Santa Águeda dos Godos, em Benevento, ao qual, após 15 anos, renunciou por problemas de saúde, que o levaram à morte em 1787.
Santo Afonso Maria de Liguori foi canonizado em 1839 e proclamado Doutor da Igreja, por Pio IX, em 1871. Em 1950, Pio XII o proclamou "Padroeiro celestial de todos os confessores e moralistas". [1]
Milagres e Testemunhos
- Fratura Óssea - Pietro Canale era um irmão leigo da Ordem Camaldulense. Ao cair de uma escada, fraturou o osso esterno. Três médicos, após usarem todos os recursos de sua arte durante cerca de dez meses, declararam a ferida incurável. O paciente aplicou então uma imagem do santo no tumor que se formou e que já estava malcheiroso e sangrento, implorando fervorosamente sua ajuda. Irmão Pietro prometeu que, se fosse curado, ofereceria um ex-voto por oito dias. Seis dias depois, ao assistir à santa missa, sentiu que o linho que cobria a ferida se soltou do ferimento. Ao apresentar-se aos médicos, ele descobriu que o ferimento havia desaparecido, restando apenas uma cicatriz.
- Cura de Antonia - Antonia Tarzia caiu do alto de um sótão, sofrendo várias fraturas, com seu peito e barriga esmagados sob o peso. Os médicos que a socorreram encontraram várias fraturas graves, inúmeras luxações e hematomas, bem como algumas lesões internas que dificultavam o uso normal de suas funções vitais. Sua agonia foi testemunhada. Uma menina que a visitou lhe trouxe um tecido embebido no óleo de uma lâmpada que queimava em frente à imagem do Bem-aventurado na igreja. Com esse óleo, a mulher doente untava seu corpo enquanto lutava contra a morte. Numa visão repentina, viu o Beato Afonso de Ligório fazendo três grandes sinais da cruz sobre ela. A mulher doente sentou-se então na cama, dizendo: "Estou completamente curada". Segundo testificam algumas testemunhas, apesar das fraturas e luxações, ela se levantou do leito, pediu para comer, caminhou e pôde até mesmo alimentar seu bebê com leite.
Legado
Santo Afonso Maria de Ligório é um exemplo de pastor zeloso, que conquistou as almas pregando o Evangelho e administrando os Sacramentos, unido a uma maneira de agir caracterizada por uma bondade suave e mansa, que nascia da relação intensa com Deus, que é a Bondade infinita. Ele tinha uma visão realisticamente optimista dos recursos de bem que o Senhor concede a cada homem, e dava importância aos afectos e aos sentimentos do coração, mas também da mente, para poder amar a Deus e ao próximo.
Demos graças ao Senhor que, com a sua Providência, suscita santos e doutores em diferentes lugares e tempos, que falam a mesma linguagem para nos convidar a crescer na fé e a viver com amor e alegria o nosso ser cristãos, nos gestos simples de cada dia, para caminhar pela vereda da santidade, pela estrada rumo a Deus e à verdadeira alegria. [2]
