| Santo Alexandre de Jerusalém | |
|---|---|
![]() |
|
| Nascimento | século III d.C. Capadócia, Turquia |
| Morte | 250 d.C. Cesareia, Israel |
| Dia Festivo | |
| Padroeiro(a) | Aqueles Perseguidos Pela Fé |
Natural da Capadócia, Alexandre tornou-se bispo da Cidade Santa de Jerusalém, da qual cuidou e fundou uma biblioteca e uma escola. Ao retornar as perseguições contra os cristãos, sob o império de Décio, foi preso e morreu de fome no cárcere, no ano 250. Santo Alexandre é venerado como mártir.
Vida Pessoal
De família pagã, Alexandre recebeu uma formação cultural diligente. Frequentou vários movimentos religiosos e filosóficos da época e converteu-se ao cristianismo. Deixou a Capadócia e transferiu-se para Alexandria, no Egito, onde prosperava a escola Didaskaleion, dirigida por Panteno siciliano, e, depois, por Clemente alexandrino. A seguir, foi para Jerusalém, em 212, onde foi coadjutor do bispo, de quem, mais tarde, foi sucessor.
Alexandre guiou Jerusalém como pastor atencioso, sobretudo com as necessidades culturais das suas ovelhas. Na Cidade Santa, fundou uma biblioteca e uma escola, inspirando-se no modelo daquela Alexandrina.
Durante seu episcopado, teve que se ocupar da rivalidade entre o teólogo Orígenes - que já conhecia em Alexandria - e seus superiores. De fato, Orígenes recebeu do Bispo de Alexandria o encargo de dirigir uma escola de catecismo. Porém, o teólogo começou a ensinar também ciências profanas – sobretudo filosofia – ciente de que, especialmente, o ensino da religião precisava de um maior aprofundamento cultural.
Não obstante ser leigo, Orígenes começou a fazer pregações nas igrejas. Este seu comportamento irritou o Bispo, que o impediu de falar publicamente sobre as Escrituras, a não ser na presença de um pastor.
Impressionado com a profundidade de pensamento do teólogo, Alexandre o defendeu e até o ordenou sacerdote, em 230. Desta forma, ele pôde continuar, sem dificuldade, suas pregações, que eram tão preciosas, a ponto de ser requisitado até em Cesareia e na própria Cidade de Jerusalém.
Entretanto, em Roma, entre 202 e 203, Septímio Severo retomava a perseguição aos cristãos. Alexandre encontrava-se ainda em Alexandria, onde ficou preso até 211. Com a segunda onda de perseguições, por parte de Décio, ele não teve escapatória: foi preso em Cesareia e passou por muitas torturas, mas em vão: “A glória dos seus cabelos brancos e a sua grande santidade formaram uma dupla coroa para o seu cativeiro", escreveram os historiadores.
Esgotado por tantos sofrimentos, Alexandre morreu na prisão, em 250, e é venerado como mártir da fé. Dos seus numerosos escritos, permaneceram apenas fragmentos de quatro cartas, propagadas por Eusébio e São Jerônimo. [1]
Legado
O legado de Santo Alexandre de Jerusalém (falecido por volta de 250 d.C.) é marcado, em primeiro lugar, por sua contribuição pioneira à preservação do conhecimento cristão através da criação da primeira grande biblioteca teológica de Jerusalém. Como bispo da cidade, Alexandre reuniu uma vasta coleção de cartas acadêmicas, textos bíblicos e documentos históricos de sua época. Essa biblioteca tornou-se um centro vital de pesquisa e permitiu que historiadores e teólogos subsequentes, como Eusébio de Cesareia (o "pai da história da Igreja"), tivessem acesso às fontes primárias necessárias para documentar os primeiros séculos do cristianismo.
Além de seu papel como preservador da história, Alexandre deixou um legado de patronato intelectual e coragem pastoral. Ele foi um amigo íntimo e o principal defensor de Orígenes, um dos maiores e mais controversos teólogos da Igreja primitiva. Quando Orígenes enfrentou oposição em Alexandria, Alexandre o acolheu na Palestina, permitiu que ele pregasse e o ordenou sacerdote, reconhecendo que o brilhantismo teológico deveria ser incentivado em vez de silenciado pelo medo institucional. Essa abertura ao debate e ao estudo profundo ajudou a moldar o desenvolvimento da exegese bíblica.
Por fim, o testemunho de sua fé através do martírio consolidou sua memória como um pastor exemplar. Já idoso, Alexandre foi preso durante a violenta perseguição do imperador romano Décio. Ele confessou publicamente sua fé perante o tribunal em Cesareia Marítima e, apesar de ter sobrevivido às feras no anfiteatro, acabou morrendo nos ferros da prisão devido aos maus-tratos. Seu sacrifício deixou para as gerações futuras o exemplo de um líder que não apenas cultivou a fé através dos livros e do intelecto, mas a selou com a própria vida.
