Santo Antônio

PUBLICADO: 21/11/2025

Santo Antônio
Imagem de Santo Antônio
Nascimento 15 de Agosto de 1195. Lisboa, Portugal
Morte 13 de Junho de 1231. Pádua, Itália
Canonização 30 de Maio de 1232
Dia Festivo
Padroeiro(a) Casamentos, Namorados, Pobres, Necessitados, Objetos Perdidos, Famílias, Viajantes, Pedreiros, Padeiros, Mulheres Estéreis, Estudantes

Incansável pregador e confessor, Santo Antônio conjugou a vida apostólica com períodos de retiro na solidão, com amor a Deus e ao próximo. A sua memória litúrgica é celebrada no dia 13 de junho. Geralmente, ele é representado com um lírio na mão e com o Menino Jesus nos braços.

Vida Pessoal

Santo António nasceu em Portugal, em Lisboa, em 1195. Uma tradição indica a data de 15 de agosto. Ele era filho do nobre Martino de 'Buglioni e Donna Maria Taveira. Sua casa ficava a poucos metros da catedral. Ele foi batizado com o nome de Fernando. Acima de tudo, pela mediocridade moral, a superficialidade e a corrupção da sociedade se sentiu animado a entrar no mosteiro agostiniano de São Vicente, fora dos muros de Lisboa, para viver o ideal evangélico sem concessões, entre os agostinianos. [2]

Preparou-se para o sacerdócio no mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra. Sendo ordenado sacerdote, com 24 anos de idade, foi encaminhado à carreira de filósofo e teólogo. Mas, desejava uma vida religiosa mais severa. A reviravolta deu-se em 1220, quando chegaram à igreja de Santa Cruz os restos mortais de cinco missionários franciscanos, torturados e assassinados em Marrocos.

Fernando decidiu deixar os Cônegos agostinianos para seguir as pegadas de São Francisco de Assis; escolheu ser chamado Antônio, para imitar o santo anacoreta egípcio. Amadureceu um forte impulso à missão e, seguindo este ideal, partiu para o Marrocos. Porém, contraiu uma doença e foi obrigado a um repouso forçado, sem poder pregar. Não teve outra opção a não ser ir para a Itália. No entanto, o navio no qual embarcou, naufragou no golfo da Sicília. Tendo-se restabelecido, em 1221, foi parar em Assis, onde Francisco havia convocado todos os seus frades. Esta foi uma ocasião propícia para conhecê-lo pessoalmente, não obstante tenha sido um encontro simples. Revigorando sua escolha de seguir a Cristo, na fraternidade Franciscana, Antônio foi enviado ao eremitério de Montepaolo, na Romanha. Ali, dedicou-se, sobretudo, à oração, meditação, penitência e trabalhos humildes.

A pregação da Quaresma, em 1231, é considerada seu testamento espiritual, à qual se deve incluir a sua dedicação amorosa, por horas e horas, às confissões. Após as celebrações pascais, abatido por problemas de saúde e consumido pela fadiga, Antônio aceitou retirar-se por um período de convalescença; depois, com alguns coirmãos, aceitou o convite de um período de descanso e de meditação em um pequeno eremitério, em Camposampiero, a poucos quilômetros de Pádua. Pediu que lhe fosse adaptado um simples refúgio sobre uma grande nogueira, onde transcorrer os dias em contemplação e em contato com a gente humilde da periferia do campo, voltando para o eremitério só à noite. Ali, deu-se a visão do Menino Jesus.

No dia 13 de junho, Antônio sentiu-se mal; entendendo que a sua hora se aproximava, pediu para morrer em Pádua. Foi transportando por um carro de boi, mas, ao chegar à Arcella, um bairro às portas da cidade, expirou murmurando: “Vejo o meu Senhor!”. [1]

Missões e Obras

Em setembro de 1222, Antônio foi enviado a fazer pregação em Forlì, onde revelou seu talento. Das suas palavras emergiram uma profunda cultura bíblica e simplicidade de expressão. A Assidua, a primeira biografia de Santo Antônio, narra: “A sua língua, movida pelo Espírito Santo, começou a raciocinar sobre muitos assuntos, com ponderação, de modo claro e conciso”. Desde então, Antônio começou a percorrer o norte da Itália e o sul da França, pregando o Evangelho aos povos e povoados, muitas vezes confusos pelas heresias do tempo, sem poupar críticas contra a decadência moral de alguns expoentes da Igreja. No ano seguinte, em Bolonha, foi mestre de Teologia para os frades que se formavam. Foi o próprio Francisco que, com uma carta, conferiu-lhe este encargo, autorizando-o a ensinar e recomendando-lhe também a não se descuidar da oração.

Pelos seus talentos, que Antônio demonstra saber colocar ao serviço do Reino de Deus, com 32 anos foi nomeado superior das Fraternidades franciscanas do norte da Itália. Ao cumprir tal função, visitou, incansavelmente, os numerosos Conventos, sob a sua jurisdição, e abriu outros. No entanto, continuou a atrair grandes multidões com suas pregações, transcorrendo diversas horas no confessionário e a reservar, para si, momentos de retiro em solidão. Decidiu estabelecer-se em Pádua, junto à pequena comunidade franciscana da igreja de Santa Maria Mater Domini. Não obstante a sua pouca presença, instaurou com a cidade uma forte ligação, prodigalizando em prol dos pobres e contra as injustiças. Precisamente em Pádua, teriam sido escritos os Sermones, um tratado para instruir os coirmãos à pregação do Evangelho e ao preceito dos Sacramentos, sobretudo, da penitência e da Eucaristia. [1]

Canonização e Beatificação

Ele tinha 36 anos de idade. O Santo foi sepultado em Pádua, na pequena igreja de Santa Maria Mater Domini, o refúgio espiritual do Santo nos períodos de intensa atividade apostólica.

No final do funeral festivo, o corpo do santo foi enterrado na pequena igreja do convento franciscano da cidade. Provavelmente não enterrado, mas sim um pouco "levantado", para que os devotos, cada vez mais frequentes e numerosos, pudessem ver e tocar o túmulo-arca.

Um ano depois de sua morte, a fama dos muitos prodígios realizados convenceu Gregório IX a queimar as etapas do processo canônico e proclamá-lo Santo em 30 de maio de 1232, apenas 11 meses depois de sua morte. A igreja fez justiça à sua doutrina, proclamando-o em 1946 "doutor da igreja universal", com o título de Doctor Evangelicus. [2]

Milagres e Testemunhos

  • Menino Jesus - O Menino Jesus apareceu nos braços do santo durante um momento de oração profunda, um evento frequentemente retratado.
  • Sermão aos Peixes - Pregou para peixes no mar quando os hereges de Rimini não o ouviram, fazendo-os erguer as cabeças para fora d'água, convertendo muitos.
  • Jumento e Eucaristia - Um desafiador disse que acreditaria na presença de Cristo na Hóstia se seu jumento se ajoelhasse; o animal fez isso diante da Eucaristia.
  • Pé Reconstituído - Um jovem que chutou a mãe em raiva cortou o próprio pé em remorso; Santo Antônio o curou, deixando apenas uma cicatriz.
  • Livro Roubado - Um noviço fugiu com os comentários de Santo Antônio sobre os Salmos; o livro foi devolvido milagrosamente após o santo pregar sobre arrependimento.

Devoção

13 de junho, celebra-se um dos santos mais queridos e venerados do mundo: Santo Antônio. Trazido pelos portugueses, sua devoção criou raízes profundas no Brasil, tornando-se uma tradição cultural e religiosa significativa: pelo menos 105 cidades em 10 estados têm Santo Antônio como padroeiro, tornando o dia 13 de junho um feriado significativo. Esse santo é uma figura central nos festejos juninos, ao lado de São Pedro e São João, celebrados com muita alegria e fé em todo o país.

Santo Antônio é amplamente conhecido como o "Santo Casamenteiro". Essa popularidade surgiu porque ele ajudava as mulheres que não conseguiam se casar por falta de dote. Recorreu à generosidade das pessoas para ajudar essas mulheres a realizarem o sacramento do matrimônio, mostrando sua sensibilidade às dificuldades do povo.

Santo Antônio é frequentemente representado com um lírio, símbolo de pureza e castidade, e com o Menino Jesus, que, segundo a tradição, apareceu em seus braços acariciando-o. Além disso, ele era um grande pregador da Palavra de Deus, conhecido por sua eloquência e profundidade teológica.

Outro fato curioso é que a língua de Santo Antônio, um dos pedaços mais intactos de seu corpo, foi encontrada 40 anos após sua morte, em uma exumação. Esta relíquia é celebrada em Pádua no dia 15 de fevereiro durante a “festa da língua”. [3]

Legado

Santo Antônio é um Santo profundamente amado e respeitado não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Sua vida de generosidade, sua devoção aos pobres e sua fama como Santo casamenteiro fazem dele uma figura venerada e um exemplo de santidade que continua a inspirar milhões de fiéis. Seja através dos pães milagrosos ou de suas pregações inspiradoras, Santo Antônio permanece um símbolo de fé e solidariedade, sendo celebrado nas animadas festas juninas do Brasil, onde a devoção e a alegria popular se encontram em um espetáculo de fé e tradição. [3]

Oração

Responsório de Santo Antônio:

“Se milagres desejais, Recorrei a Santo Antônio: Vereis fugir o demônio E as tentações infernais. Recupera-se o perdido, Rompe-se a dura prisão, E no auge do furacão Cede o mar enfurecido. Todos os males humanos, Se moderam, se retiram, Dizei-nos quem já não vira Assim prodígios tamanhos? Recupera-se o perdido, Rompe-se a dura prisão, E no auge do furacão Cede o mar enfurecido. Rogai por nós, Santo Antônio, Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.”

Bibliografia

  1. Vatican News - S. Antônio de Pádua, sacerdote franciscano e doutor da Igreja (13 junho)
  2. Vatican News - Santo Antônio de Pádua, o doutor evangélico (13 junho 2018)
  3. Vatican News - Santo Antônio: devoção, missão, milagres e tradições (13 junho 2024)