São Bento

PUBLICADO: 17/9/2025

São Bento
Imagem de São Bento
Nascimento 480 d.C. Núrsia, Úmbria, Itália
Morte 21 de Março de 547. Monte Cassino, Itália
Canonização 1220
Dia Festivo
Padroeiro(a) Europa; monges ocidentais; contra a inveja, magia e todo tipo de mal

Bento é fundador da Ordem Beneditina, Padroeiro da Europa e Patriarca do monacato ocidental. Sua vida reflete-se fielmente na “Regra”, cujo espírito se resume no lema “Ora et labora”, onde ele indica aos monges os meios para seguir seu caminho. A festa de São Bento celebra-se em 11 de julho.

Vida Pessoal

O nascimento de São Bento é datado por volta de 480, assim ensina São Gregório: "ex provincia Nursiae" da região da Núrsia. Os seus pais enviaram-no para Roma para a sua formação nos estudos. Mas ele não permaneceu por muito tempo na Cidade eterna. São Gregório explica o fato de que o jovem Bento sentia repugnância pelo estilo de vida de muitos dos seus companheiros de estudos, que viviam de modo dissoluto, e não queria cair nos mesmos erros deles. Bento, desejava aprazer unicamente a Deus; "soli Deo placere desiderans" (II Dial., Prol. 1). Assim, ainda antes da conclusão dos seus estudos, Bento deixou Roma e retirou-se na solidão dos montes a leste da cidade. [1]

Sua vida, desde a juventude, era dedicada à oração. Seus pais, bastante ricos, mandaram-no a Roma para garantir-lhe uma boa formação. Ali, porém, - narra São Gregório Magno – encontrou más companhias, amigos viciados, que viviam ao léu. Então, Bento deixou Roma e foi, inicialmente, para a localidade denominada Enfide. [3]

Depois de uma primeira estadia na aldeia de Effide, onde durante um certo período se associou a uma "comunidade religiosa" de monges, fez-se eremita na vizinha Subiaco. O período em Subiaco, marcado pela solidão com Deus, foi para Bento um tempo de maturação. Ali tinha que suportar e superar as três tentações fundamentais de cada ser humano: a tentação da autossuficiência e do desejo de se colocar no centro, a tentação da sensualidade e, por fim, a tentação da ira e da vingança. De fato, Bento estava convencido de que, só depois de ter vencido estas tentações, ele poderia dizer aos outros uma palavra útil para as suas situações de necessidade. E assim, tendo a alma pacificada, estava em condições de controlar plenamente as pulsões do eu, para deste modo ser um criador de paz em seu redor. Só então decidiu fundar os seus primeiros mosteiros no vale do Anio, perto de Subiaco.

Em todo o segundo livro dos Diálogos, São Gregório ilustra a vida de São Bento imersa em uma atmosfera de oração, fundamento, da sua existência. Sem oração não há experiência de Deus. Mas a espiritualidade de Bento não era uma interioridade fora da realidade. Na agitação e na confusão do seu tempo, ele vivia sob o olhar de Deus e precisamente assim nunca perdeu de vista os deveres da vida quotidiana e o homem com as suas necessidades concretas. Ao ver Deus compreendeu a realidade do homem e a sua missão.

De facto, quando, em 21 de março de 574, Bento concluiu a sua vida terrena, deixou com a sua Regra e com a família beneditina por ele fundada um património que deu nos séculos passados e ainda hoje continua a dar frutos em todo o mundo. [1]

A Regra

A São Bento, irmão de Santa Escolástica, foram atribuídos muitos milagres. Mas, o milagre maior e mais duradouro do Pai da Ordem beneditina foi a composição da “Regra”, escrita por volta do ano 530 d.C. Trata-se de um Manual, um código de orações para a vida monacal. Seu estilo, desde às primeiras palavras, é muito familiar: desde o prólogo até o últimos dos 73 capítulos, Bento exorta os monges a “ouvirem com o coração” e a “jamais perderem a esperança na misericórdia de Deus”. De fato, escreveu: “Ouça, filho, os ensinamentos do Mestre; dê-lhe ouvidos com o coração; receba, com agrado, os conselhos de um pai que lhe quer bem, para se dirigir, com o rigor da obediência, Àquele do qual você se distanciou por causa da negligência e da desobediência”. [3]

Na sua Regra ele qualifica a vida monástica "uma escola ao serviço do Senhor" (Prol. 45) e pede aos seus monges que "à Obra de Deus [ou seja, ao Ofício Divino ou à Liturgia das Horas] nada se anteponha" (43, 3). Mas ressalta que a oração é em primeiro lugar um ato de escuta (Prol. 9-11), que depois se deve traduzir em ação concreta. "O Senhor aguarda que nós respondamos todos os dias com os fatos aos seus ensinamentos", afirma ele (Prol. 35). Assim a vida do monge torna-se uma simbiose fecunda entre ação e contemplação "para que em tudo seja glorificado Deus" (57, 9). [1]

Canonização e Beatificação

Tão logo após sua morte, os mosteiros beneditinos tornaram-se, sobretudo na Idade Média, importantes centros de referência, tendo saído deles inúmeros santos, papas e ícones para a Igreja.

São Bento é, por sua influência, considerado o Patriarca dos monges do Ocidente e o padroeiro da Europa. Foi canonizado no ano de 1220 e sua festa é celebrada no dia 11 de julho. [4]

Milagres e Testemunhos

  • O Vaso Quebrado - Em Effide, São Bento realizou o seu primeiro milagre. Um dia, sua ama pediu uma vasilha de barro emprestada a um vizinho. Sem querer, deixou cair o vaso, que ficou estilhaçado. A moça, envergonhada com o acidente, desatou a chorar. Quando Bento chegou em casa, vendo a aflição de sua ama, recolheu os cacos, rezou e devolveu o vaso à jovem, como se ele jamais tivesse quebrado. A vasilha foi colocada na porta da igreja da aldeia para que todos vissem e sua fama de milagreiro espalhou-se rapidamente pela região.
  • São Plácido Salvo da Morte - Quando Bento já levava uma vida monástica, um menino chamado Plácido – que mais tarde viria também a tornar-se santo – acabou caindo no rio quando tentava recolher um pouco de água. São Bento estava dentro do Mosteiro, rezando, e soube do acidente com a criança através de uma visão. Ele então chamou um monge chamado Mauro e pediu que este acudisse o garoto. O Irmão respondeu que não sabia nadar, mas São Bento recomendou-lhe que confiasse em Deus. O monge seguiu as orientações de Bento e, andando sobre a água, resgatou o pequeno Plácido. Ao contar a história mais tarde, o menino relatou que, no lugar do Irmão Mauro, ele via a imagem do próprio São Bento.
  • Expulsão de Demônios - Próximo ao mosteiro onde morava São Bento, havia uma grande pedra, que tinha servido de altar para sacrifícios a um deus pagão. Os monges tentavam retirar a pedra, mas a tarefa parecia impossível, pois ninguém era capaz de movê-la. Os religiosos então chamaram Bento, que notou que a pedra estava sendo contida por demônios. Por ordem do santo e diante do sinal da Cruz, os demônios fugiram e a pedra enfim pôde ser removida.

Legado

São Bento, com a sua vida e a sua obra, exerceu uma influência fundamental sobre o desenvolvimento da civilização e da cultura europeia. Mediante as ideias do seu tempo, ele pretende ilustrar com seu exemplo a subida aos cumes da contemplação, que pode ser realizado por quem se abandona em Deus. Temos em São Bento um modelo da vida humana como subida para o vértice da perfeição.

Ele nos mostra que Deus não é uma hipótese distante colocada na origem do mundo, mas está presente na vida do homem, de cada homem. Com sua ponderação, a sua humanidade e o seu discernimento entre o essencial e o secundário na vida espiritual, São Bento mantém a sua força iluminadora até hoje.

Procurando o verdadeiro progresso espiritual, também hoje a Regra de São Bento é uma luz para o nosso caminho. O grande monge permanece sendo um verdadeiro mestre, em cuja escola podemos aprender a arte de viver o humanismo verdadeiro.

A vida monástica no escondimento tem uma sua razão de ser, mas um mosteiro tem também uma finalidade pública na vida da Igreja e da sociedade, deve dar visibilidade à fé como força de vida. [1]

Oração

Oração de São Bento contra o mal:

“A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo do teu veneno”

Bibliografia

  1. Vatican News - São Bento, o homem de Deus que brilhou nesta terra (11 julho 2022)
  2. Vatican News - Santo do Dia: 11/07 (11 de julho)
  3. Vatican News - S. Bento abade, Padroeiro da Europa (11 julho)
  4. Minha Biblioteca Católica - A vida de São Bento (08/07/2025)