| São Domingos de Gusmão | |
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| Nascimento | 8 de Agosto de 1170. Caleruega, Espanha |
| Morte | 6 de Agosto de 1221. Basílica de São Domingos, Bolonha, Itália |
| Canonização | 3 de Julho de 1234 |
| Dia Festivo | |
| Padroeiro(a) | Bolonha (Itália), República Dominicana, Astrônomos, Ordem dos Pregadores |
Domingos, "humilde ministro da pregação", na verdade, é um gigante, uma das figuras mais extraordinárias da Igreja da Idade Média e de todos os tempos. Enfrentou, com ardor, as heresias da época; fundou e difundiu a Ordem dos Frades Pregadores e viveu pelo poder e pela graça como “alter Christus”.
Vida Pessoal
Domingos de Gusmão dedicou toda a sua vida a conversar com Jesus ou a falar sobre Jesus. Ele era a quinta-essência de um cristão, ou seja, quase um ideal inatingível. Talvez não, sabendo, porém, que era um homem capaz de viver este ideal de maneira magnífica. Talvez sim, levando em consideração o que ele foi capaz de fazer em 51 anos. Ele foi uma presença marcante nos acontecimentos eclesiais, como Francisco de Assis. Ambos eram contemporâneos.
Caleruega, aldeia de montanha da velha Castela. Ali, começa a história de Domingos em 1170. Na sua família havia um tio sacerdote. Assim, o Evangelho tornou-se, para a criança e, depois, para o adolescente, o Pão que nutria.
Aos 24 anos, o sacerdócio foi a sua meta natural. Domingos começou a fazer parte dos Canônicos da Catedral de Osma, a pedido do Bispo Diego, que, depois, o levou consigo em missão à Dinamarca.
Na região de Toulouse, começa a propagar-se a heresia dos Cátaros, cientes de que Jesus era homem e não Deus. A urgência de pregar, explicar e testemunhar a fé suscitou em ambos uma certeza: a sua missão nada mais foi que a pregação aos pagãos, que a pediram ao Papa, em 1206.
O Papa Inocêncio III concordou com a missão, mas não sobre os destinatários. Dom Diego e Domingos deviam enfrentar os Albigenses, outro nome dado aos Cátaros. Por isso, retornam à França, mas, logo depois, Diego morre. Domingos de Gusmão permaneceu sozinho para enfrentar o ímpeto da heresia, mas o fez com paixão, mediante encontros, exortações, debates em público e em particular. Esta atividade o consumia, mas Domingos era entusiasta. Ele não a enfrentou como um doutor pedante. Pelo contrário, o seu olhar, seu modo de ser sempre afável, a coerência entre o que dizia e o que fazia, despertavam respeito e simpatia, reduzindo as distâncias dos adversários. Assim, passam os anos, mas o cenário muda em 1215.
Naquele ano, realizou-se em Roma o IV Concílio de Latrão, do qual Domingos participou com Dom Folco, Bispo de Toulouse. A ocasião era propícia para apresentar ao Papa Honório III seu projeto, que havia tomado forma.
Há muito tempo, diversas pessoas, fascinadas pelo seu ideal, uniram-se a Domingos, vindas de várias partes da Europa; muitas delas eram jovens talentos.
Em 22 de dezembro de 1217, chegou o placet de Honório III, que aprovava o nascimento da "Ordem dos Frades Pregadores". Foi como uma explosão! Os "Dominicanos" partem, rapidamente, para levar o Evangelho, por toda parte, com seu estilo ardoroso.
Para Domingos, foi a última etapa, que culminou em 6 de agosto de 1221, quando faleceu, circundado pelos seus Frades, no amadíssimo Convento de Bolonha.
Apenas 13 anos após a sua morte, Gregório IX, que o havia conhecido pessoalmente, o proclamou santo.
Este homem foi elevado acima das montanhas de Castela. Seu grande coirmão, Lacordaire, disse: “Ele foi carinhoso como uma mãe, mas forte como um diamante". [1]
Milagres e Testemunhos
- O Juízo do Fogo - Textos escritos por ele, jogados em uma fogueira, saíram inteiramente ilesos, enquanto os de seus opositores queimaram.
- Ressurreições e Curas - Seus biógrafos documentaram a restauração da vida de quatro pessoas e inúmeras curas por sua intercessão.
- A Visão da Alma de Alexandra - Conseguiu aliviar e ver subir ao céu a alma de uma mulher que estava no purgatório após rezar missas por ela.
Rosário
A história de São Domingos de Gusmão com o Santo Rosário tem suas raízes no início do século XIII, em um período de profunda crise religiosa no sul da França. Enfrentando a forte expansão da heresia albigense, Domingos percebeu que os métodos tradicionais de pregação e os confrontos teológicos não estavam sendo suficientes para converter os corações e trazer as pessoas de volta à fé fértil. Diante dessa grande dificuldade e sentindo o peso da missão, o santo retirou-se para uma floresta próxima a Toulouse, onde passou dias em intensa oração, jejum e penitência, suplicando a intervenção divina para salvar as almas daquela região.
Segundo a tradição dominicana consolidada ao longo dos séculos, foi durante esse retiro de profunda entrega que a Virgem Maria apareceu a São Domingos. A Mãe de Deus revelou a ele que a arma principal para derrubar o erro e renovar a vida cristã não seria a força das armas ou da eloquência humana, mas sim uma oração simples e profunda: a saudação angélica entremeada pela meditação dos mistérios da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Nossa Senhora o instruiu a pregar esse "Saltério Mariano", prometendo que essa devoção seria o remédio espiritual capaz de amaciar os corações mais duros.
Fortalecido por essa experiência mística, Domingos retornou ao seu trabalho apostólico e integrou a oração do Rosário como a peça central de sua pregação. Em vez de disputas teológicas complexas e inacessíveis ao povo simples, ele ensinava as verdades da fé através da contemplação dos mistérios do Evangelho, utilizando a repetição das orações para fixar a doutrina no espírito das pessoas. O resultado foi uma onda massiva de conversões pela França e pela Europa, demonstrando a eficácia pedagógica e espiritual dessa devoção, que unia a simplicidade da oração vocal ao aprofundamento meditativo.
Com a fundação da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), o legado dessa devoção ganhou uma estrutura permanente que atravessou os séculos. São Domingos transmitiu aos seus irmãos de ordem a missão de difundir o Santo Rosário por onde quer que fossem, transformando essa oração em uma das marcas registradas da tradição católica. O encontro entre Domingos e a Virgem Maria não apenas ofereceu uma resposta pastoral para uma crise do século XIII, mas presenteou a história com uma das práticas de oração mais populares, acessíveis e transformadoras do cristianismo.
Legado
Este grande santo recorda-nos que no coração da Igreja deve sempre arder um fogo missionário, que impele incessantemente a fazer o primeiro anúncio do Evangelho e, onde for necessário, a uma nova evangelização: com efeito, Cristo é o bem mais precioso que os homens e as mulheres de todos os tempos e lugares têm o direito de conhecer e de amar! E é consolador ver que até na Igreja de hoje são muitos – pastores e fiéis leigos, membros de antigas ordens religiosas e de novos movimentos eclesiais – que com alegria despendem a sua vida por este ideal supremo: anunciar e testemunhar o Evangelho!
Depois, a Domingos de Gusmão uniram-se outros homens, atraídos pela mesma aspiração. Deste modo, progressivamente, da primeira fundação de Toulouse teve origem a Ordem dos Pregadores. Com efeito, Domingos, em plena sintonia com as diretrizes dos Papas do seu tempo, Inocêncio III, Honório III, adoptou a antiga Regra de Santo Agostinho, adaptando-a às exigências de vida apostólica que o levaram, bem como os seus companheiros, a pregar passando de um lugar para outro, mas depois voltando aos próprios conventos, lugares de estudo, oração e vida comunitária. De modo particular, Domingos quis dar relevo a dois valores considerados indispensáveis para o bom êxito da missão evangelizadora: a vida comunitária na pobreza e o estudo.
Antes de tudo, Domingos e os Padres Pregadores apresentavam-se como mendicantes, isto é, sem vastas propriedades de terrenos para administrar. Este elemento tornava-os mais disponíveis ao estudo e à pregação itinerante, e constituía um testemunho concreto para as pessoas. O governo interno dos conventos e das províncias dominicanas estruturou-se segundo o sistema de cabidos, que elegiam os seus próprios Superiores, sucessivamente confirmados pelos Superiores maiores; portanto, uma organização que estimulava a vida fraterna e a responsabilidade de todos os membros da comunidade, exigindo fortes convicções pessoais. A escolha deste sistema nascia precisamente do fato de que os Dominicanos, como pregadores da verdade de Deus, tinham que ser coerentes com o que anunciavam. A verdade estudada e compartilhada na caridade com os irmãos constitui o fundamento mais profundo da alegria. O Beato Jordão da Saxónia diz de São Domingos: "Ele acolhia cada homem no grande seio da caridade e, dado que amava todos, todos o amavam. Fez para si uma lei pessoal de se alegrar com as pessoas felizes e de chorar com aqueles que choravam" (Libellus de principiis Ordinis Praedicatorum autore Iordano de Saxonia, ed. H. C. Scheeben [Monumenta Historica Sancti Patris Nostri Dominici, Romae, 1935]).
Em segundo lugar, com um gesto intrépido, Domingos quis que os seus seguidores adquirissem uma formação teológica sólida e não hesitou em enviá-los às universidades dessa época, embora não poucos eclesiásticos vissem com desconfiança estas instituições culturais. As Constituições da Ordem dos Pregadores atribuem muita importância ao estudo como preparação para o apostolado. Domingos queria que os seus Padres se dedicassem a isto sem poupar esforços, com diligência e piedade; um estudo fundado na alma de todo o saber teológico, ou seja, na Sagrada Escritura, e respeitador das interrogações formuladas pela razão. O desenvolvimento da cultura impõe àqueles que desempenham o ministério da Palavra, a vários níveis, que sejam bem preparados. Portanto, exorto todos, pastores e leigos, a cultivar esta "dimensão cultural" da fé, a fim de que a beleza da verdade cristã possa ser melhor compreendida e a fé seja verdadeiramente alimentada, fortalecida e também defendida. Neste ano sacerdotal, convido os seminaristas e os sacerdotes a estimar o valor espiritual do estudo. A qualidade do ministério sacerdotal depende também da generosidade com que se aplica ao estudo das verdades reveladas.
Domingos, que quis fundar uma ordem religiosa de pregadores-teólogos, lembra-nos que a teologia tem uma dimensão espiritual e pastoral, que enriquece a alma e a vida. Os presbíteros, os consagrados e também todos os fiéis podem encontrar uma profunda "alegria interior" na contemplação da beleza da verdade que vem de Deus, verdade sempre atual e viva. O lema dos Padres Pregadores – contemplata aliis tradere – ajuda-nos a descobrir, além disso, um anseio pastoral no estudo contemplativo de tal verdade, pela exigência de comunicar aos outros o fruto da própria contemplação. [2]
