São Guilherme

PUBLICADO: 23/6/2026

São Guilherme
Imagem de São Guilherme
Nascimento 1085 d.C. Vercelli, Itália
Morte 1142 d.C. Goleto, Itália
Canonização 1942
Dia Festivo
Padroeiro(a) Irpínia

Guilherme, peregrino, eremita, abade e novamente peregrino, teve uma história bastante dinâmica e variada. Nascido em 1085, o Santo tornou-se popular em Irpínia, onde se estabeleceu depois de longas viagens, fundando a Abadia de Montevergine com a anexa Congregação de monges. Faleceu em 1142.

Vida Pessoal

Guilherme tinha os pés torturados de tanto andar. Seu destino era Santiago de Compostela e, depois, um dia, a Terra Santa. Às vezes, 14 anos são suficientes para escolher a vida que se quer viver, renunciando àquela que se tem. Assim foi Guilherme, um adolescente de Vercelli.

Com 14 anos, fez uma coisa semelhante àquela que Francisco faria em Assis, mais de cem anos depois. Deixou a vida opulenta riqueza da sua família, renunciou ao título nobiliário, vestiu um saio rude e partiu descalço e sozinho.

Compostela torna-se uma etapa obrigatória de peregrinação para o homem do primeiro Milênio. Por volta do ano 1099, Guilherme partiu para o Santuário espanhol: fez cinco anos de caminhada, de pão e água, de cilício, dormindo no chão, de colóquio íntimo com Deus e de ardente anúncio do Evangelho ao longo do caminho.

A outra etapa de qualquer peregrinação, na época, era a Terra de Jesus. Então, Guilherme voltou para a Itália com o objetivo de partir para Jerusalém. Porém, o homem que planeja se defronta com as surpresas de Deus.

O jovem encaminhou-se para o sul da Itália em busca de um navio. Mas, nas proximidades de Brindes, foi agredido por alguns ladrões. Naquele pobre peregrino nada havia roubar; decepcionados, a agressão se transformou em violência. Guilherme foi espancado e obrigado a interromper sua viagem. Ao recuperar suas forças, encontrou-se com João de Matera, o futuro santo, que havia conhecido antes, que lhe disse, com decisão, que, por detrás da agressão sofrida, poderia estar oculto um sinal maior: dedicar a sua missão de apóstolo na Itália. Guilherme refletiu e se convenceu e, em 1118, voltou novamente para Irpínia, aos pés do Montevergine, que o escala até encontrar uma pequena bacia, onde se deteve. Ali, o peregrino se tornou eremita.

O eremita pensava ser feito para a solidão, mas a solidão não era feita para ele: sua fama de homem de Deus se espalhou rápido como o vento gelado que penetrava nos bosques do Monte Partênio. Dezenas de pessoas chegavam ao lugar onde se encontrava a cela do monge Guilherme.

Assim, o eremita torna-se abade. Foram poucas as Regras escritas, ditadas e mostradas com seu exemplo: penitência rigorosa, oração, prática da caridade com os pobres. Este foi o broto da sua Congregação dedicada a Maria, oficialmente reconhecida em 1126. No entanto, os pés do eremita queimavam. Certo dia, o Santo peregrino confiou a um discípulo a recém-nascida Abadia de Montevergine e retomou sua estrada, indo de Irpínia a Sânio, da Lucânia à Apúlia e Sicília. Os príncipes normandos e as pessoas paupérrimas, que o encontravam, permaneciam fascinados.

A abadia de Montevergine prosperou, graças às contínuas doações conspícuas. Entre os amigos reinantes, mas, sobretudo, sinceros de Guilherme, destaca-se Rogério II, um rei normando. Foi ele quem visitou, pela última vez, o peregrino, que se tornou eremita e abade, debilitado e quase sem força. Em 1142, São Guilherme entregou seu espírito em um de seus mosteiros da Irpínia, em Goleto. 800 anos depois da sua morte, em 1942, Pio XII o proclamou Padroeiro principal da Irpínia. [1]

Milagres e Testemunhos

  • Animal de Carga - Em sua história, fala-se de sinais milagrosos, entre os quais o mais conhecido era o do lobo que dilacerou o burro de carga de Guilherme. Então o monge o "obrigou" a se transformar em um animal de carga, com perfeita mansidão.

Legado

O coração do seu impacto espiritual e cultural reside na expansão de mosteiros e no desenvolvimento social das regiões onde atuou. Diferente de outros eremitas que permaneciam estritamente isolados, Guilherme possuía um dinamismo que o levou a fundar várias outras comunidades monásticas na Campânia, Apúlia e Basilicata. Sob o patrocínio do rei Rogério II da Sicília, que se tornou seu grande amigo e conselheiro espiritual, Guilherme utilizou a influência e os recursos reais não para benefício próprio, mas para expandir obras de caridade, construir mosteiros e promover a paz em um reino frequentemente fragmentado por disputas feudais. Seus mosteiros tornaram-se centros de oração, mas também de assistência social e preservação cultural no sul italiano.

Por fim, São Guilherme deixou um legado duradouro de piedade mariana e equilíbrio entre contemplação e ação. O Santuário de Montevergine, fundado por ele, tornou-se e permanece até hoje um dos centros de peregrinação mariana mais importantes e visitados de toda a Itália. A espiritualidade que ele transmitiu aos seus monges equilibrava a severidade do deserto com a acolhida calorosa aos peregrinos e necessitados que subiam as montanhas em busca de auxílio. Ele provou que o verdadeiro isolamento monástico não isola o homem das dores do mundo, mas o capacita a retornar a ele com maior compaixão, transformando montanhas isoladas em faróis de esperança e civilidade para a sociedade da época.

Bibliografia

  1. Vatican News - S. Guilherme, abade, fundador do Mosteiro de Montevergine (25 junho)