| São João d'Ávila | |
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| Nascimento | 6 de Janeiro de 1499. Almodóvar del Campo, Espanha |
| Morte | 10 de Maio de 1569. Montilla, Espanha |
| Canonização | 31 de Maio de 1970 |
| Dia Festivo | |
| Padroeiro(a) | Padres Seculares Espanhóis |
Sacerdote espanhol, de origem judaica, João de Ávila viveu no século XVI, um período de grandes reformas. Era místico, grande pregador e conselheiro de muitos Santos contemporâneos, entre os quais Santo Inácio de Loyola. O Papa Bento XVI o proclamou Doutor da Igreja em 2012.
Vida Pessoal
João de Ávila viveu na primeira metade do século XVI. Nasceu a 6 de janeiro de 1499, ou 1500, em Almodóvar del Campo (Ciudad Real, diocese de Toledo), filho único de Alonso Ávila e de Catalina Gijón, pais muito cristãos e com uma elevada posição económica e social. Com 14 anos foi estudar Direito na prestigiosa Universidade de Salamanca; porém, abandonou os estudos quando concluiu o quarto curso porque, por causa de uma experiência muito profunda de conversão, decidiu regressar ao domicílio familiar para se dedicar à meditação e à oração.
Com o propósito de se tornar sacerdote, em 1520 foi estudar Artes e Teologia na Universidade de Alcalá de Henares, aberta às grandes escolas teológicas dessa época e à corrente do humanismo renascentista. Em 1526, recebeu a ordenação presbiteral e celebrou a primeira Missa solene na paróquia do seu povoado e, com a finalidade de partir como missionário para as Índias, decidiu distribuir a sua rica herança entre os mais necessitados. Depois, de acordo com aquele que viria a ser o primeiro Bispo de Tlaxcala, na Nova Espanha (México), foi para Sevilha para esperar o momento de embarcar rumo ao Novo Mundo.
Enquanto se preparava para viajar, dedicou-se a pregar na cidade e nas localidades circunvizinhas. Ali encontrou-se com o venerável Servo de Deus, Fernando de Contreras, doutor em Alcalá e prestigioso catequista. Ele, entusiasmado com o testemunho de vida e com a oratória do jovem sacerdote João, conseguiu que o arcebispo sevilhano o levasse a desistir da sua ideia de partir para a América e a ficar na Andaluzia e permanecesse em Sevilha, compartilhando casa, pobreza e vida de oração com Contreras e, enquanto se dedicava à pregação e à direcção espiritual, continuou os estudos de Teologia no Colégio de S. Tomás, onde talvez tenha obtido o título de Mestre.
No entanto, em 1531, por causa de uma sua pregação mal-entendida, foi aprisionado. No cárcere, começou a escrever a primeira versão do Audi, filia. Durante aqueles anos, recebeu a graça de penetrar com profundidade singular o mistério do amor de Deus e o grande benefício feito à humanidade pelo Redentor Jesus Cristo. Doravante será este o eixo da sua vida espiritual e o tema central da sua pregação.
Tendo sido emitida a sentença absolutória em 1533, continuou a pregar com notável êxito diante do povo e das autoridades, mas preferiu transferir-se para Córdova, incardinando-se na diocese. Pouco depois, em 1536, o arcebispo de Granada chamou-o para obter dele um conselho, e ali, além de continuar a sua obra de evangelização, completou os estudos nessa Universidade.
Bom conhecedor do seu tempo e com uma formação académica excelente, João de Ávila foi um ilustre teólogo e um humanista verdadeiro. Propôs a criação de um Tribunal Internacional de arbitragem para evitar as guerras e foi também capaz de inventar e patentear algumas obras de engenharia. No entanto, vivendo na pobreza, centrou a sua atividade em acalentar a vida cristã de quantos comprazidos ouviam os seus sermões e o seguiam onde quer que fosse. Especialmente preocupado pela educação e pela instrução das crianças e dos jovens, sobretudo daqueles que se preparavam para o sacerdócio, fundou vários colégios menores e maiores que, depois de Trento, se transformariam em seminários conciliares. Fundou, outrossim, a Universidade de Baeza (Jaén), importante ponto de referência durante séculos para a formação qualificada de clérigos e seculares.
Depois de ter percorrido a Andaluzia e outras regiões do centro e do oeste da Espanha, pregando e orando, já enfermo, em 1554 retirou-se definitivamente numa casa simples em Montilla (Córdova), onde exerceu o seu apostolado elaborando algumas das suas obras através de uma correspondência abundante. O arcebispo de Granada quis levá-lo como assessor teólogo para as duas últimas sessões do Concílio de Trento; dado que não podia viajar por falta de saúde, redigiu os Memoriales que tiveram grande influência nesta reunião eclesial.
Acompanhado pelos seus discípulos e amigos e padecendo dores agudíssimas, com um Crucifixo nas mãos, entregou a sua alma ao Senhor na sua casa humilde de Montilla na manhã de 10 de maio de 1569. [1]
Canonização e Beatificação
Considerando a sua indubitável e crescente fama de santidade, a Causa de beatificação e canonização do Mestre João de Ávila foi iniciada na arquidiocese de Toledo, em 1623. Foram interrogadas imediatamente as testemunhas de Almodóvar del Campo e de Montilla, lugares de nascimento e de morte do Servo de Deus, e em Córdova, Granada, Jaén, Baeza e Andújar. Mas por vários problemas, a Causa permaneceu interrompida até 1731, ano em que o arcebispo de Toledo enviou a Roma os processos informativos já realizados. Com o decreto de 3 de abril de 1742, o Papa Bento XIV aprovou os escritos e elogiou a doutrina do Mestre Ávila, e a 8 de fevereiro de 1759 Clemente XIII declarou que tinha praticado as virtudes em medida heroica. A beatificação teve lugar, por obra do Papa Leão XIII, a 6 de abril de 1894 e a canonização, por obra do Papa Paulo VI, no dia 31 de maio de 1970. Considerando a importância da sua figura sacerdotal, em 1946 Pio XII proclamou-o Padroeiro do clero secular na Espanha.
O título de "Mestre", com o qual durante toda a sua vida e ao longo dos séculos foi conhecido João de Ávila, fez com que no início da sua canonização fosse concebida a possibilidade de o nomear Doutor. Assim, a pedido do cardeal Benjamín de Arriba y Castro, arcebispo de Tarragona, a XII Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Espanhola (julho de 1970) decidiu pedir à Santa Sé que o declarasse Doutor da Igreja Universal. Seguiram-se numerosas instâncias, particularmente por ocasião do 25º aniversário da sua Canonização (1995) e do V centenário do seu nascimento (1999).
A declaração de Doutor da Igreja Universal de um santo pressupõe o reconhecimento de um carisma de sabedoria conferido pelo Espírito Santo para o bem da Igreja e comprovado pela influência benéfica do seu ensinamento sobre o povo de Deus, fatos bem evidentes na pessoa e na obra de João de Ávila. Ele foi interpelado com muita frequência pelos seus contemporâneos como Mestre de teologia, discernidor de espíritos e diretor espiritual. Acorriam a ele em busca de ajuda e de orientação grandes santos e pecadores declarados, sábios e ignorantes, pobres e ricos, e à sua fama de conselheiro uniu-se tanto a sua intervenção concreta em diálogos notáveis como a sua obra diária em vista de melhorar a vida de fé e de compreensão da mensagem cristã de quantos o procuravam solícitos para ouvir os seus ensinamentos. Também os bispos e os religiosos doutos e bem preparados se dirigiam a ele como conselheiro, pregador e teólogo, exercendo uma influência notável sobre quantos entravam em contato com ele e sobre os ambientes que frequentava. [1]
Milagres e Testemunhos
- Poder da Pregação - Relatos históricos destacam que ele "arrebatava multidões" e seus discursos causavam conversões profundas em Granada e outras cidades.
- Vida de Virtude e Doença - Passou os últimos 16 anos da vida gravemente doente e quase cego, vivendo a dor com paciência, o que foi considerado por muitos como um "martírio" constante.
Legado
A doutrina do Mestre João de Ávila contém, indubitavelmente, uma mensagem segura e duradoura, e é capaz de contribuir para confirmar e aprofundar o depósito da fé, iluminando até novas perspectivas doutrinais e de vida. Atendo-se ao magistério pontifício, a sua atualidade é evidente, o que comprova que a sua eminens doctrina constitui um carisma autêntico, dom do Espírito Santo à Igreja de ontem e de hoje.
Em 2002, a Conferência Episcopal Espanhola tomou conhecimento do fato que o Estudo recapitulativo sobre a doutrina eminente reconhecida nas obras de São João de Ávila, da Congregação para a Doutrina da Fé, se concluía de modo claramente afirmativo, e em 2003 um número consistente de Senhores Cardeais, Arcebispos e Bispos, Presidentes de Conferências Episcopais, Superiores-Gerais de Institutos de vida consagrada, Responsáveis de Asociações e Movimentos eclesiais, Universidades e outras instituições, além de pessoas de relevo individualmente, uniram-se à súplica da Conferência Episcopal Espanhola através de Cartas Postulatórias, que manifestavam ao Papa João Paulo II o interesse e a oportunidade do título de Doutor a São João de Ávila.
Depois de restituir o processo à Congregação para as Causas dos Santos e de nomear um Relator para esta Causa, foi necessário elaborar a correspondente Positio. Após a conclusão deste trabalho, o Presidente e o Secretário da Conferência Episcopal Espanhola, juntamente com o Presidente da Junta Pró-Doutorado e com a Postuladora da Causa, assinaram, a 10 de dezembro de 2009, a Súplica definitiva (Supplex libellus) do título de Doutor para o Mestre João de Ávila. No dia 18 de Dezembro de 2010 realizou-se o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos da mencionada Congregação, relativo ao título de Doutor ao Santo Mestre. Os votos foram afirmativos. A 3 de maio de 2011, a Sessão Plenária de Cardeais e Bispos membros da Congregação decidiu, com voto unanimemente afirmativo, propor-nos a declaração de São João de Ávila, se assim o desejássemos, como Doutor da Igreja Universal. A 20 de agosto de 2011, em Madrid, durante a Jornada Mundial da Juventude, anunciamos ao Povo de Deus: "Próximamente declararei São João de Ávila, presbítero, Doutor da Igreja Universal". A 27 de Maio de 2012, Domingo de Pentecostes, tivemos a alegria de anunciar na Praça de São Pedro, à multidão de peregrinos do mundo inteiro ali reunidos: "O Espírito, que falou por meio dos profetas, com os dons da sabedoria e da ciência continua a inspirar mulheres e homens que se comprometem na busca da verdade, propondo caminhos originais de conhecimento e de aprofundamento do mistério de Deus, do homem e do mundo." [1]
