| São João XXIII | |
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| Nascimento | 25 de Novembro de 1881. Sotto il Monte Giovanni XXIII, Itália |
| Morte | 3 de Junho de 1963. Palácio Apostólico, Cidade do Vaticano |
| Canonização | 27 de Abril de 2014 |
| Dia Festivo | |
| Padroeiro(a) | Delegados Pontifícios, Exército Italiano |
O pontificado de João XXIII não durou cinco anos, mas é um daqueles que nunca se esquece. Depois de anos de experiência no exterior e de passar por duas guerras, o "Papa bom" convocou o Concílio Vaticano II, em 1959, para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. João XXIII é santo desde 2014.
Vida Pessoal
Ângelo José Roncalli, quarto filho de 13, nasceu em Sotto il Monte, Bergamo, em 25 de novembro de 1881. Em 1892, entrou para o Seminário de Bergamo e, em 1896, foi admitido à Ordem Franciscana Secular. De 1901 a 1905 foi aluno no Pontifício Seminário Romano e, em 1° de agosto de 1904, ordenado sacerdote. A seguir, foi convocado como secretário do Bispo Giacomo Maria Radini-Tedeschi, e, por isso, regressou à "sua" cidade de Bergamo.
Viver ao lado do Bispo e acompanhá-lo nas suas visitas aos lugares mais recônditos da diocese, certamente, constituíram a inspiração pastoral que guiará sempre o futuro Papa. Porém, em 1914, tudo se interrompeu bruscamente: faleceu Dom Giacomo Radini e estourou a I Guerra Mundial. Quando a Itália entrou no conflito, em 1915, Ângelo Roncalli foi convocado para servir como novo Sargento no campo da Saúde; depois, tornou-se Capelão militar, trabalhando nos hospitais militares de reserva, e coordenador na assistência espiritual e moral dos soldados.
Ângelo Roncalli entrou oficialmente no Vaticano, em 1921, onde teve início a segunda parte da sua vida: foi convocado a Roma, por Bento XV, para presidir, pela a Itália, ao Conselho Central da Pontifícia Obra de Propagação da Fé; quatro anos depois, o novo Papa, Pio XI, o nomeou Visitador Apostólico na Bulgária. Nomeado Bispo, em 19 de março de 1925, em Roma, começou sua missão, em Sofia, em 25 de abril. A seguir, foi nomeado primeiro Delegado Apostólico na Bulgária, visitando as comunidades católicas e estabelecendo cordiais relações com as demais comunidades cristãs, até 1934.
Por vários anos, Ângelo José Roncalli foi representante da Santa Sé no exterior. Em 27 de novembro de 1935 ,foi nomeado Delegado Apostólico na Turquia e Grécia e Administrador Apostólico dos latinos em Constantinopla. Não foi uma tarefa fácil. Na "nova" Turquia, proclamada Estado não confessional, trabalhou para que os Católicos não se sentissem excluídos da sociedade; ao invés, na Grécia, deviam melhorar as relações com o Patriarca e os metropolitas da Igreja Ortodoxa. Com a explosão da II Guerra Mundial, a situação de Dom Roncalli teve que mudar, novamente: em 20 de dezembro de 1944, Pio XII confiou-lhe, mais uma vez, uma tarefa delicada: foi nomeado Núncio Apostólico em Paris. A França, em uma situação de libertação, iniciava um profundo processo de laicismo estatal. O que sempre inspirava Dom Roncalli, em cada nova função, era buscar a simplicidade evangélica, mesmo diante das questões diplomáticas mais complexas: era sustentado por um desejo pastoral sacerdotal, em todas as situações, com também por uma piedade sincera, que consistia em dedicar, diariamente, um maior tempo à oração e à meditação.
Como quase sempre acontece, a vida passa por rápidas mudanças. Assim aconteceu com Dom Ângelo Roncalli: em 1953, foi criado Cardeal e, imediatamente, teve que voltar para a Itália, onde se tornou Patriarca de Veneza. Achou, portanto, que estão podia dedicar os últimos anos da sua existência ao ministério direto de cuidar das almas, na capital veneta. Ao invés, com a morte de Pio XII, foi eleito Papa, em 28 de outubro de 1958, escolhendo o nome de João XXIII. Durante seu quinquênio de Pontificado, deu ao mundo uma autêntica imagem de Bom Pastor, recebendo, de fato, o apelido de "Papa bom" ou "Papa da bondade".
João XXIII demonstrou, imediatamente, ser um Papa inovador: convocou o Sínodo Romano, instituiu a Comissão para a revisão do Código de Direito Canônico, mas, sobretudo, de modo surpreendente, da Basílica de São Paolo fora dos Muros, convocou, em 25 de janeiro de 1959, o Concílio Ecumênico Vaticano II. O objetivo não era mudar a Doutrina católica, nem definir novas verdades de fé, mas repropor o conteúdo da fé ao homem contemporâneo, para dar resposta às novas problemáticas e desafios de uma sociedade em evolução. Coerente com uma atitude de diálogo e compreensão e não de oposição e condenação, convidou também expoentes das várias Confissões cristãs como observadores do Concílio. A mensagem de João XXIII foi lançada com força pelas suas oito Encíclicas, inclusive a "Mater et magistra", de 1961, na qual repropôs o ensinamento social da Igreja, 70 anos depois da "Rerum novarum" e da "Pacem in terris”, de 1963: o primeiro documento da história, dirigido a todos os homens de boa vontade, no qual destacava os conceitos de paz e de uma justa ordem social. Há algum tempo, João XXIII estava doente. De fato, faleceu em 3 de junho de 1963, logo depois do Dia de Pentecostes. O “Papa bom” foi beatificado por João Paulo II, durante o Grande Jubileu de 2000, e canonizado pelo Papa Francisco, em 27 de abril de 2014. [1]
Milagres e Testemunhos
- Cura de Caterina Capitani - A religiosa sofria de uma peritonite aguda gravíssima e hemorragia pós-operatória, estando desenganada pelos médicos. O relato: Após rezar e colocar uma imagem de João XXIII sobre o abdômen, a freira relatou ter sentido uma forte sensação de calor e paz, seguida de uma cura rápida e completa considerada inexplicável pela junta médica do Vaticano.
Legado
O legado de São João XXIII (1881–1963), nascido Angelo Giuseppe Roncalli e carinhosamente conhecido como o "Papa Bom", é marcado de forma monumental por sua decisão corajosa de convocar o Segundo Concílio do Vaticano (Vaticano II) em 1952. Em um mundo marcado pelas divisões da Guerra Fria e pela rápida modernização, ele percebeu a necessidade de abrir as janelas da Igreja para deixar entrar o ar fresco — conceito que ele definiu como aggiornamento (atualização). Sua visão eclesial não buscava alterar as verdades fundamentais da fé, mas sim renovar a linguagem, a liturgia e a forma como a Igreja se comunicava e interagia com a sociedade contemporânea.
No âmbito geopolítico e diplomático, João XXIII deixou uma marca indelével como um construtor de pontes, pacificador e defensor dos direitos humanos. Durante a Crise dos Mísseis de Cuba em 1962, sua intervenção discreta, mas influente, entre os líderes John F. Kennedy e Nikita Khrushchev foi crucial para evitar um conflito nuclear catastrófico. Esse compromisso com a concórdia mundial culminou na publicação de sua famosa encíclica Pacem in Terris (Paz na Terra), a primeira dirigida não apenas aos católicos, mas a "todas as pessoas de boa vontade". Nela, o papa estabeleceu que a paz autêntica só pode ser edificada sobre os pilares da verdade, da justiça, do amor e da liberdade.
Por fim, o legado de São João XXIII permanece vivo através do seu estilo pastoral centrado na simplicidade, no afeto e no ecumenismo. Ao quebrar protocolos rígidos do Vaticano para visitar presídios, hospitais infantis e bairros populares de Roma, ele aproximou a figura papada do povo comum. Além disso, inaugurou uma nova era no diálogo inter-religioso, promovendo a aproximação histórica com outras denominações cristãs e com a comunidade judaica (com a qual já mantinha laços desde quando salvou milhares de judeus durante a Segunda Guerra Mundial). Sua canonização pelo Papa Francisco em 2014 selou o reconhecimento de um líder que provou que a bondade, a humildade e a abertura ao diálogo são as forças mais transformadoras para unir a humanidade.
